
"Provavelmente só se separam os que levam a infecção do outro até os limites da autenticidade, os que têm coragem de se olhar nos olhos e descobrir que o amor de ontem merece mais do que o conforto dos habitos e o conformismo da complementaridade.
A separação pode ser um ato de absoluta e radical união, a ligaçao para a eternidade de dois seres que um dia se amaram demasiado para poderem amar se de outra maneira, pequena, mansa, quase vegetal...
Só nóis dois sabemos que não se trata de sucesso ou fracasso. Só nós dois sabemos que o que se sente não se trata e é em nome desse intratável que um dia nos fez estremecer que agora nos separamos. Para lá da dilaceração dos dias, dos livros, discos e filmes que nos coloriam a vida, encontramos nos agora juntos na violência do sofrimento, na ausência um do outro como já não nos lembrávamos de ter estado em precença. É uma forma de amor invíavel que, por isso mesmo não tem fim."

“Arrumei os amores, é a primeira regra da vida – saber arquivá-los, entendê-los, contá-los, esquecê-los. Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha. A amizade só se perde por traição – como a pátria. Num campo de batalha, num terreno de operações. Não há explicações para o desaparecimento do desejo, última e única lição do mais extraordinário amor. Mas quando o amor nasce protegido da erosão do corpo, apenas perfume, contorno, coreografado em redor dos arco-íris dessa animada esperança a que chamamos alma – porque se esfuma? Como é que, de um dia para o outro, a tua voz deixou de me procurar, e eu deixei que a minha vida dispensasse o espelho da tua?”
- Inês Pedrosa -
Um comentário:
O amor merece ser tratado com muito respeito. Destina-lo a dias iguais, de habitos rotineiros, por comodismo e' sufoca-lo. Mais vale sentir sofrendo ao longe do que viver lado a lado vegetando... parabens pelo artigo. bom domingo
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